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Considerações
Sobre a Estrutura Política da República Popular da China |
• Marcelo Hecksher
Introdução
Após as visitas dos presidentes Fernando Henrique e Lula da Silva à China, e,
após a consolidação daquele país como potência econômica mundial, o Brasil
passou a demonstrar maior interesse em, realmente, conhecer a China.
Até o ano de 1998, apenas um brasileiro, correspondente da imprensa brasileira,
residia na China. Era Jayme Martins, repórter da Folha de São Paulo.
Todas as notícias que nos chegavam eram produzidas por agências estrangeiras,
particularmente norte americanas.
Hoje, quase todas as grandes redes de comunicação brasileiras possuem
correspondentes residentes na China. Alguns falando mandarim.
Assim, não se pode mais admitir interpretações errôneas sobre a conjuntura
chinesa, particularmente, sobre a conjuntura política.
Mas, para tanto, é necessário que, primeiramente, se tenha uma noção, mesmo que
abrangente, da estrutura política do Estado Chinês.
A própria classificação política da China quanto à forma de governo, hoje em
dia, foge um pouco das tradicionais. Classificado como um país de regime
comunista, a China possui um sistema de governo único, o qual, a par de um
partido hegemônico, que compõe parte da estrutura governamental, o sistema
comporta outros órgãos políticos, de execução e de homologação das políticas
definidas em planos quinquenais.
Esses órgãos, em sua composição, possuem membros que são eleitos nas províncias,
buscando dar às decisões políticas um caráter de “consenso popular”.
A busca de um maior “consenso popular”, na parte política, aliada à liberdade de
ação na economia (liberdade essa verificada segundo os ditames do programa de
abertura econômica implantado por Deng, programa consolidado pelos seus
substitutos) são a síntese da estratégia política da China para abandonar o
regime político fechado de um só partido. A busca da China para maior
participação popular nas escolhas governamentais segue esse caminho. Porém, tudo
segue ao ritmo de uma sociedade de mais de 5.000 anos, em um país onde todas as
decisões irão refletir no bem estar de 1.300.000.000 de habitantes. Mas, uma
busca constante, segundo política definida nos congressos quinquenais do Partido
Comunista Chinês.
Tais políticas refletirão em um país que não pode ser comparado a qualquer
outro:
• o terceiro maior território entre os países do mundo;
• uma população composta de diversas etnias;
• uma geografia com as mais altas montanhas do mundo, os desertos mais inóspitos
e os climas dos mais variados;
• uma inacreditável unicidade no idioma escrito, a par dos vários dialetos
existentes; e
• as poucas terras agriculturáveis para a maior população mundial.
Essas características fazem com que, na China, todos os problemas e suas
soluções sejam grandiosos.
ESTRUTURA POLÍTICA
A estrutura política, macro, da China, pode ser definida entre três organismos
posicionados (teoricamente) em um mesmo nível, porém com atribuições diversas,
que são os poderes constituídos do estado chinês:
• Comitê Central do Partido Comunista Chinês (CCPCC);
• Congresso Nacional do Povo (CNP); e
• Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC).
Esses se constituem em três organismos, teoricamente, independentes.
1º - Comitê Central do Partido Comunista Chinês – CCPCC - onde se
estabelece e se controlam as políticas, estratégias e programas de governo. Nas
reuniões do CCPCC, também são definidos os quadros que ocuparão os diversos
cargos na estrutura política do estado chinês, inclusive no próprio partido.
Os Congressos do Partido Comunista Chinês, que se realizam de cinco em cinco
anos, incluem todos os membros das diversas comissões, diretorias etc., que
compõe o PCC, a saber:

As reuniões decisórias das políticas e estratégias antecedem à realização do
Congresso Quinquenal do Partido Comunista Chinês, propriamente dito, que se
caracteriza pela convocação da Conferência Consultiva do Povo Chinês – CCPC.
Normalmente, as reuniões decisórias são levadas a cabo em uma cidade balneária (Beidaihe).
Assim se diz que tudo que for decidido nos Congressos do Partido, já foi antes
decidido pela cúpula.
As decisões da CCPCC são trazidas para homologação dos delegados da:
2º - Conferência Consultiva do Povo Chinês – CCPC. Esse organismo tem o
seu presidente definido pelo partido e seus representantes, de cada província e
de cada etnia minoritária, escolhido por votação regional. Contesta-se a
indicação dos candidatos, uma vez que são submetidos ao crivo do PCC. Na maior
ou menor liberdade dessa escolha se assenta a estratégia de abertura política da
China, a par da abertura econômica e comercial. A indicação de delegados para
votação se dá em uma espécie de “lista fechada” partidária. É conveniente citar
que, além do Partido Comunista Chinês – PCC – existem na China outros tantos
partidos (oito, variável) cuja representatividade é discutida, uma vez que seus
representantes são eleitos (ou não) para a CCPC, na lista fechada citada
anteriormente. A execução das políticas definidas e homologadas se dá pela ação
do terceiro organismo.
3º - Congresso Nacional do Povo – CPN.
O CNP se compõe pela seguinte estrutura:

Continuação da estrutura do CNP

É interessante frisar que a grande maioria dos membros do CCPCC e das Comissões
e Departamentos mostrados acima, são também os titulares de cargos no Congresso
Nacional do Povo, o órgão executivo. Assim, estabelecem as políticas e as
executam.
Os Comitês Especiais do CNP são criados e extintos de acordo com a sua
necessidade.
Da mesma forma, os membros das Comissões e Departamentos do CCPCC variam em
quantidade, tanto por razões administrativas quanto para “acomodar” os aliados e
não aliados, mas que compõe uma “base dirigente”.
Na linha da estrutura organizacional do PCC ainda existem outras organizações,
como listado a seguir, variáveis de acordo com a necessidade administrativa ou,
como nas comissões e departamentos já citados, criados para “acomodar” a “base
dirigente”:
Comissão de Política e Legislação
01 Secretário
01 Secretário Geral
Comissão para o Gerenciamento Objetivo da Seguridade Social
01 Presidente
04 Vice-Presidentes
Comissão para Proteção dos Segredos do Partido
01 Presidente
02 Vice-Presidentes
Comitê Central de Organização
01 Presidente
03 Vice-Presidente
Comitê Central de Orientação do Desenvolvimento Étnico e Cultural
01 Diretor
02 Vice-Diretores
Comitê de Trabalho para as Organizações Sob o Conselho de Estado
01 Presidente
01 Vice-Presidente Exec.
05 Vice-Presidentes.
Comitê de Trabalho para as Organizações do Governo Central
01 Presidente
04 Vice-Presidentes
Comitê de Trabalho de Inspeção e Disciplina para as Organizações do Governo
Central
01 Secretário
Escritório de Pesquisa da História do Partido
01 Diretor
07 Vice-Diretores
Escritório de Pesquisa de Documentação
01 Diretor
02 Vice-Diretores
Escola do Partido Comunista Chinês
01 Presidente
02 Vice-Presidentes Exec.
08 Vice-Presidentes
01 Secretário Geral
Diário Guangming (Guangming Daily)
01 Editor-Chefe
Qiushi Biomonthly (Em busca da verdade, Revista Bimensal)
01 Editor Chefe
Grupo de Lideranças para o Trabalho Rural
01 Chefe
02 Vice-Chefes
Grupo de Lideranças para as Finanças e Economia
01 Chefe
01 Vice-Chefe
01 Secretário Geral
02 Vice-Secretários Geral
Grupo Central de Lideranças para as Finanças do Trabalho
01 Chefe
01 Vice-Chefe
Membros (variável)
Grupo de Lideranças para o Desenvolvimento da Região Oeste
01 Chefe
Grupo de Lideranças para a Construção do Partido
01 Chefe
04 Vice-Chefes
Grupo de Lideranças para os Trabalhos da História do Partido
01 Chefe
03 Vice-Chefes
Grupo de Lideranças para a Propaganda e Opinião
01 Chefe
02 Vice-Chefes
Grupo de Lideranças para os Negócios Estrangeiros
01 Chefe
02 Vice-Chefes
Grupo de Lideranças para os Assuntos de Taiwan
01 Chefe
01 Vice-Chefe
01 Membro
01 Secretário Geral
Grupo de Lideranças para a Coordenação dos Assuntos Econômicos e de Comércio com
Taiwan
01 Chefe
01 Vice-Chefe
Grupo para a Publicidade Além-mar
01 Chefe
02 Vice-Chefes
Escritório para Publicidade Além-mar
01 Diretor
04 Vice-Diretores
Escritório de Assuntos Estrangeiros
01 Diretor
Escritório de Negócios de Taiwan
01 Diretor
03 Vice-Diretores
Instituto de Pesquisas Históricas e Culturais
01 Curador
02 Vice-Curadores
É comum se verificar que cargos dessas estruturas são exercidos,
cumulativamente, por pessoas que exercem outros cargos em estruturas do PCC ou
do CNP. Até mesmo o presidente, o primeiro-ministro e outros acumulam cargos de
direção e chefia nessa estruturas. Assim, costuma-se dizer que: tudo que é
discutido no CNP ou na Conferência Consultiva do Povo Chinês já foi
anteriormente decidido pelo partido.
As estruturas apresentadas nos itens anteriores representam a cúpula do governo
na República Popular da China. Abaixo dessas instituições existe um Conselho de
Estado que, teoricamente, seria o Poder Executivo, além de cortes jurídicas, que
se constituem no Poder Judiciário.
Conselho de Estado
Sob o Conselho de Estado funcionam os Ministérios, várias comissões,
instituições e escritórios. É interessante notar como certos membros da cúpula
do Partido são, também, chefes dessas organizações e dos comitês e frentes de
trabalho no próprio partido.
Estrutura do Conselho de Estado
O Conselho de Estado possui a seguinte estrutura principal:

Na linha de subordinação direta ao Conselho de Estado, existem as seguintes
organizações (que pertencem ao Conselho de Estado):
Escritório de Arquivos do Estado com um curador; e
Escritório de Proteção dos Segredos do Estado, com um diretor.
O Conselho de Estado dispõe, ainda, de cinco Comissões. Todas possuem um
Presidente e Vice-Presidentes, esses em número variável. A última comissão
listada possui, ainda, um Comissário Político. As Comissões e seus Presidentes
são as Seguintes:
Comissão de Planejamento e Desenvolvimento;
Comissão de Comércio e Economia;
Comissão de Planejamento Familiar;
Comissão de Assuntos das Nacionalidades; e
Comissão de Ciência e Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional.
Ministérios Sob o Conselho de Estado
Sob o Conselho de Estado funcionam 23 Ministérios. Além do Ministro, todos os
Ministérios, exceto o da Defesa Nacional, que será abordado separadamente,
possuem Vice-Primeiros Ministros, em número variável. Os Ministérios são os
seguintes:
Ministério da Agricultura, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério dos Assuntos Civis, com Ministro e quatro Vice-Ministros
Ministério das Comunicações, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério da Construção, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Cultura, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério das Finanças, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério dos Negócios Estrangeiros, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Cooperação Econômica e Comércio Exterior (MOFTEC), com Ministro e
Vice-Ministros;
Ministério da Educação, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Informação Industrial, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério da Justiça, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério do Trabalho e Seguridade Social, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério dos Recursos Naturais e da Terra, com Ministro e três Vice-Ministros;
Ministério da Defesa Nacional, com Ministro e estrutura diferenciada dos demais,
em face da estrutura organizacional do Exército Popular de Libertação – EPL.;
Ministério do Pessoal, com Ministro e sete Vice - Ministros;
Ministério da Saúde Pública, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério de Ciência e Tecnologia, com Ministro e cinco Vice-Ministro;
Ministério da Segurança Pública, com Ministro e três Vice-Ministros;
Ministério dos Recursos Naturais e da Terra, com Ministro e três Vice-Ministros;
Ministério das Ferrovias, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério da Segurança do Estado, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Supervisão, com Ministro e quatro Vice-Ministros; e
Ministério dos Recursos Hídricos, com Ministro e cinco Vice-Ministros.
Sob o Conselho de Estado, existem as seguintes organizações com nível
ministerial:
Banco do Povo da China (People’s Bank of China), com um Diretor Geral; e
Auditoria Administrativa, com um Auditor Geral.
Ainda, sob o Conselho de Estado, existem as seguintes organizações de trabalho:
Escritório de Pesquisas do Conselho de Estado, com Diretor e três
Vice-Diretores;
Escritório de Negócios de Hong Kong e Macau, com Diretor e três Vice-Diretores;
Escritório de Negócios dos Chineses de Além Mar, com Diretor e três
Vice-Diretores;
Escritório dos Negócios Estrangeiros, com Diretor e dois Vice-Diretores;
Escritório de Assuntos Legislativos, com Diretor e dois Vice-Diretores;
Escritório para Reestruturação Econômica, com Diretor e quatro Vice-Diretores;
Escritório para Reformas de Residências, com Diretor não havendo Vice-Diretores.
Existem dezoito organizações que estão, diretamente, sob o Conselho de Estado.
Não foi possível precisar o que significa “diretamente”, mas assim são tratadas
pelo governo. São elas:
Administração Geral da Alfândega;
Administração da Aviação Civil da China;
Bureau do Estado para a Proteção Ambiental;
Bureau para as Florestas;
Bureau para os Direitos da Propriedade Intelectual;
Bureau para a Supervisão da Qualidade e Tecnologia;
Bureau do Estado para a Administração da Indústria e Comércio;
Bureau do Estado para Inspeções de Entrada e Saída e Quarentena;
Bureau de Supervisão e Gerenciamento Farmacêutico;
Bureau do Estado para a Administração de Rádio, Cinema e Televisão;
Bureau Geral dos Esportes;
Bureau Geral de Impostos;
Administração das Publicações e Imprensa do Estado;
Bureau dos Assuntos Religiosos;
Bureau de Estatística do Estado;
Bureau de Turismo do Estado;
Bureau dos Conselheiros; e
Bureau de Administração dos Escritórios do Governo.
Sob o controle dos ministérios e das comissões, existem os seguintes Bureaus:
Indústria de Materiais de Construção;
Indústria do Carvão;
Indústria de Material Elétrico
Indústria de Construção de Máquinas
Indústria Metalúrgica
Indústria de Metais Não Ferrosos;
Indústria Química e de Petróleo;
Indústria Têxtil;
De Reservas de Grãos;
De Comércio Interno;
Dos Correios;
Especialistas em Assuntos Estrangeiros;
Monopólio do Tabaco;
De Comércio exterior;
De Oceanografia;
Preservação das Relíquias Culturais; e
Agrimensura e Cartografia.
Além do que foi citado, pode existir corporações que executam tarefas de
coordenação, em caráter temporário. Em 1998 existiam 45 dessas corporações.
Segundo fontes do governo, o caráter temporário está relacionado à permanência
dos titulares no desempenho dessas atividades e não à existência temporária da
corporação.
A seguir, serão relacionadas algumas dessas corporações, por suas aparentes
importâncias, pela importância de seus chefes ou pelo inusitado das suas
atividades:
Grupo de Lideranças para a Ciência, Tecnologia e Educação, cujo Chefe é o
Primeiro-Ministro;
Grupo de Lideranças para o Ajuda ao Completo Desenvolvimento dos Pobres;
Grupo de Lideranças para a Colocação de Oficiais e Praças da Reserva no Mercado
de Trabalho;
Comitê Nacional da Campanha Patriótica pela Saúde Publica;
Comitê de Regulamentação Tarifária;
Comitê da China para a Década Internacional de Redução de Desastres Nacionais;
Comitê de Defesa Nacional das Fronteiras;
Comissão Nacional de Controle de Narcóticos;
Comitê do Verde Nacional;
Comitê de Coordenação para o Trabalho da Mulher e da Criança;
Comitê de Coordenação para os Obstáculos;
Comitê de Graus Acadêmicos;
Comitê do Projeto de Construção de Sanxia (Três Gargantas);
Grupo de Lideranças para o Trabalho de Apoio ao Exército, dando Tratamento
Preferencial às Famílias dos Soldados e Mártires, Apoiando o Governo e Cuidando
do Povo;
Quartel-General de Controle das Enchentes e Alívio da Seca;
Escritório de Verificação da Saúde das Atividades de Negócios;
Grupo de Lideranças Nacionais para a Agenda da China para o Século 21, cujo
Chefe é Pan Wencan.
Também, sob o controle do Conselho de Estado funcionam 28 (vinte e oito)
organismos econômicos. Em realidade, Corporações de Empresas Estatais. Algumas
estão listadas a seguir, destacadas pela sua importância no contexto das
reformas econômicas da China e do desenvolvimento de tecnologia de ponta.
Indústria Aeronáutica da China (AVIC);
Corporação das Indústrias Aeroespaciais da China (Bureau de Aeronáutica e
Espaço);
Corporação Nuclear Nacional da China;
Grupo de Indústrias do Norte da China (NORINCO);
Corporação das Indústrias de Armamento Geral da China; e
Banco da China.
Paralelamente ao Conselho de Estado, se assim pode-se definir seu posicionamento
no Estado Chinês, existe o Poder Judiciário. Deve ser salientado que as decisões
jurídicas civis, de uma maneira geral, estão a cargo da Polícia Armada do Povo,
que integra o EPL. Apenas em 1996 foi fundada na China a chamada primeira escola
de juízes.
A Cúpula do Poder Judiciário é representada pelas seguintes organizações:

Não existe comprovação a respeito da CMC do Estado ser ligada ao poder
judiciário, para tratar dos assuntos jurídicos no meio militar. Contudo, essa é
a posição na estrutura na qual é colocada essa comissão, em algumas publicações.
Cabe salientar que, seus integrantes são os mesmos da CMC do PCC.
Outros Partidos Políticos na China
Além do PCC, existem na China outros nove partidos políticos, não comunistas.
Esses partidos não influenciam o processo de condução da política governamental,
uma vez que suas proposições são analisadas pelo Comitê Central do PCC, antes de
serem apresentadas no fórum adequado, a Conferência Consultiva Política do Povo
Chinês (CCPPC). Os nove partidos citados são os seguintes:
Comitê Revolucionário do Guomindang Chinês;
Liga Democrática Chinesa;
Associação Chinesa para a Construção da Democracia Nacional;
Associação Chinesa para a Promoção da Democracia;
Partido Democrático dos Agricultores e Trabalhadores Chineses;
Partido pelo Interesse Público (China Zhi Gong Dang);
Sociedade 3 de Setembro (Sociedade Jiusan);
Liga do Governo Autônomo e Democrático de Taiwan; e
Federação da Indústria e Comércio de Toda a China.
Até pelo próprio nome, fica claro que esses partidos não podem ser influentes na
política do Estado Chinês (Liga do Governo Autônomo e Democrático de Taiwan).
CONSIDERAÇÕES
A estrutura do governo da China é muito complexa, como pode ser observado com a
análise deste texto. Existe uma aparente superposição de atribuições,
superposição essa que cambia para um controle da execução, quando se observa que
os líderes da cúpula do Partido Comunista estão chefiando comissões, escritórios
etc, sob o Conselho de Estado, havendo, portanto, um controle efetivo da
implementação das diversas políticas do partido.
A existência de um grupo dedicado a estudar uma maior independência das
entidades econômicas da burocracia estatal, demonstra a consciência de que a
economia, para o seu desenvolvimento, necessita ter a sua própria dinâmica, não
podendo ficar atrelada à “mastodôntica” estrutura burocrática do Governo Chinês.
E isso ocorre em um país tido como comunista que, adotando as práticas
capitalistas no desenvolvimento da sua economia, atingiu a posição de segunda
economia mundial e, com a crise econômica atual, é visto como tábua de salvação
da economia mundial.
Em contra partida, no Brasil, o partido do governo federal, o PT, que assinou um
protocolo de intenções com o PCC, talvez buscando idéias para atingir o controle
de partido único sobre o estado brasileiro, tem proposto medidas, não no sentido
de desburocratizar ou de liberar a economia, mas no rumo de maior centralização,
maior influência do estado e no aumento da estrutura burocrática governamental.
Enquanto na China, com toda a centralização comunista, existem 23 ministérios e
duas organizações com status ministerial, no Brasil do PT existem 36 ministérios
e secretarias com status de ministério, além de 23 conselhos e outras tantas
agências reguladoras.
Enquanto a China de desgarra dos dogmas comunistas, mesmo que de forma lenta,
talvez a possível para a sua cultura, o PT não se peja em buscar maiores e mais
estreitos controles sobre as instituições, sobre a economia e sobre a liberdade
de educação e de expressão.
Enquanto na China se admite, no máximo, dois períodos, para os principais
membros do governo, no Brasil Lula, em visita a África, disse que gostaria de
saber como ficar 30 anos no poder, da mesma forma que os ditadores a quem chama
de irmãos e amigos.
Enquanto se critica a China, que é catalogado como um país comunista de partido
único, por direcionar a indicação dos candidatos, regionais e das minorias, à
assembléia do CCPC, no Brasil, os políticos do PT apresentam uma proposta de
reforma política que pretende estabelecer uma lista de candidatos indicados pelo
partido, para que o povo vote nesses candidatos. Dessa forma, a cúpula
partidária (ou seria a comissão central partidária?) é que controlaria as
eleições.
O PT se aliou com antigos desafetos políticos, comprando o apoio desses com o
controle (talvez com o descontrole) e liberação das verbas públicas, como no
conhecido, mas não admitido, “episódio do mensalão”, ou o nome que se quiser dar
para a distribuição de “recursos não contabilizados”, financiando campanhas
eleitorais de todas as facções aliadas e partícipes da chamada “base aliada”.
E as táticas de dominação não são apenas formalizadas pela liberação de verbas.
Pretende o PT exercer o que chama de “controle social da imprensa”. Controle
social, termo acadêmico para censura, logo por um partido de esquerda. Esquerda
que dominou, por décadas, os postos chaves da mídia nacional, que se utilizou de
todas as oportunidades para incutir no cidadão brasileiro uma permissividade
contrária ao pensamento mais conservador da sua sociedade, e abusou da liberdade
de falar contra, sem ao menos apresentar argumento coerente.
Talvez essa estratégia petista de manutenção no poder tenha a ver com a
assinatura de um protocolo de intenções com o PCC, ocorrido na primeira visita
do líder petista a China.
Enquanto na China se observa o dilema do PCC em ter que assumir posições
contrárias aos dogmas de um partido comunista, no Brasil, o dilema atual é ver o
PT tentar contrariar a política econômica, por ele classificada como neoliberal.
Política essa que permitiu a estabilidade econômica que o governo petista tanto
preza e propagandeia.
Pena que o PT só parece ter se preocupado em ter a China como exemplo nas piores
coisas, justamente aquelas das quais ela procura se libertar. O PT não se
preocupou, por exemplo, em saber como a China conseguiu levar educação de
qualidade para todas as suas crianças e expandir tanto o seu ensino
universitário.
Enquanto os comunistas da China se preocupam em modernizar as suas estruturas
políticas, tornando-as compatíveis com a agilidade do mundo atual, os
“socialistas” do PT, a cada problema surgido criam um novo ministério.
Recentemente, ao contrário de buscarem a unificação das polícias, objetivando a
economia de recursos e a padronização do conhecimento, criaram uma nova polícia,
super dispendiosa, a Força Nacional de Segurança.
Enquanto na China não existe preocupação com o imediatismo e as metas pressupõem
uma continuidade das políticas, no Brasil o PT lança programas um depois do
outro, sem sustentação, sem planejamento adequado, repassando verbas para ONGS
que não são submetidas ao menor controle na aplicação dessas verbas.
Acreditar que exista algum paralelo entre o PT e o PCC é embaralhar a história,
a ponto de acreditar que a China é uma democracia. O perigo é ser esse o
objetivo do PT: embaralhar a história para possibilitar um retrocesso no Estado
Democrático de Direito e se perpetuar no poder.
Brasília, 07 de outubro de 2011
* O autor é Coronel-Aviador Refm; Adido das Forças Armadas
junto às Embaixadas do Brasil na República Popular da China e na República da
Coréia, entre agosto de 1996 e outubro de 1998. Mestre em Ciências Aeroespaciais
Bibliografia:
• SPENCER, J. D. The Search for Modern China.
• HSÜ, I.C.Y. The Rise of Modern China. Ed. Oxford University Press. New York.
1999.
• CHINA MONTHLY DATA. Institute of Asian Affairs. Hamburgo.
• COUNTRY REPORT. The Economist Intelligence Unit. Londres.
• JANE’S INTELLIGENCE REVIEW. Jornal mensal POINTER e JANE’S SPECIAL REPORTS.
• Monthly Papers, from CHINESE COUNCIL OF ADVANCED POLICY STUDIES (CAPS).
Taipei, Taiwan.
• FAR EASTERN ECONOMIC REVIEW. Review Publishing Company Limited. Hon Kong.
• LEONARD, M. O que a China pensa. Ed. Larrouse. São Paulo
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