Considerações Sobre a Estrutura Política da República Popular da China

• Marcelo Hecksher

Introdução

Após as visitas dos presidentes Fernando Henrique e Lula da Silva à China, e, após a consolidação daquele país como potência econômica mundial, o Brasil passou a demonstrar maior interesse em, realmente, conhecer a China.
Até o ano de 1998, apenas um brasileiro, correspondente da imprensa brasileira, residia na China. Era Jayme Martins, repórter da Folha de São Paulo.
Todas as notícias que nos chegavam eram produzidas por agências estrangeiras, particularmente norte americanas.
Hoje, quase todas as grandes redes de comunicação brasileiras possuem correspondentes residentes na China. Alguns falando mandarim.
Assim, não se pode mais admitir interpretações errôneas sobre a conjuntura chinesa, particularmente, sobre a conjuntura política.
Mas, para tanto, é necessário que, primeiramente, se tenha uma noção, mesmo que abrangente, da estrutura política do Estado Chinês.
A própria classificação política da China quanto à forma de governo, hoje em dia, foge um pouco das tradicionais. Classificado como um país de regime comunista, a China possui um sistema de governo único, o qual, a par de um partido hegemônico, que compõe parte da estrutura governamental, o sistema comporta outros órgãos políticos, de execução e de homologação das políticas definidas em planos quinquenais.
Esses órgãos, em sua composição, possuem membros que são eleitos nas províncias, buscando dar às decisões políticas um caráter de “consenso popular”.
A busca de um maior “consenso popular”, na parte política, aliada à liberdade de ação na economia (liberdade essa verificada segundo os ditames do programa de abertura econômica implantado por Deng, programa consolidado pelos seus substitutos) são a síntese da estratégia política da China para abandonar o regime político fechado de um só partido. A busca da China para maior participação popular nas escolhas governamentais segue esse caminho. Porém, tudo segue ao ritmo de uma sociedade de mais de 5.000 anos, em um país onde todas as decisões irão refletir no bem estar de 1.300.000.000 de habitantes. Mas, uma busca constante, segundo política definida nos congressos quinquenais do Partido Comunista Chinês.
Tais políticas refletirão em um país que não pode ser comparado a qualquer outro:
• o terceiro maior território entre os países do mundo;
• uma população composta de diversas etnias;
• uma geografia com as mais altas montanhas do mundo, os desertos mais inóspitos e os climas dos mais variados;
• uma inacreditável unicidade no idioma escrito, a par dos vários dialetos existentes; e
• as poucas terras agriculturáveis para a maior população mundial.
Essas características fazem com que, na China, todos os problemas e suas soluções sejam grandiosos.

ESTRUTURA POLÍTICA

A estrutura política, macro, da China, pode ser definida entre três organismos posicionados (teoricamente) em um mesmo nível, porém com atribuições diversas, que são os poderes constituídos do estado chinês:
• Comitê Central do Partido Comunista Chinês (CCPCC);
• Congresso Nacional do Povo (CNP); e
• Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC).

Esses se constituem em três organismos, teoricamente, independentes.

1º - Comitê Central do Partido Comunista Chinês – CCPCC - onde se estabelece e se controlam as políticas, estratégias e programas de governo. Nas reuniões do CCPCC, também são definidos os quadros que ocuparão os diversos cargos na estrutura política do estado chinês, inclusive no próprio partido.
Os Congressos do Partido Comunista Chinês, que se realizam de cinco em cinco anos, incluem todos os membros das diversas comissões, diretorias etc., que compõe o PCC, a saber: 

 

 
As reuniões decisórias das políticas e estratégias antecedem à realização do Congresso Quinquenal do Partido Comunista Chinês, propriamente dito, que se caracteriza pela convocação da Conferência Consultiva do Povo Chinês – CCPC. Normalmente, as reuniões decisórias são levadas a cabo em uma cidade balneária (Beidaihe). Assim se diz que tudo que for decidido nos Congressos do Partido, já foi antes decidido pela cúpula.
As decisões da CCPCC são trazidas para homologação dos delegados da:

2º - Conferência Consultiva do Povo Chinês – CCPC. Esse organismo tem o seu presidente definido pelo partido e seus representantes, de cada província e de cada etnia minoritária, escolhido por votação regional. Contesta-se a indicação dos candidatos, uma vez que são submetidos ao crivo do PCC. Na maior ou menor liberdade dessa escolha se assenta a estratégia de abertura política da China, a par da abertura econômica e comercial. A indicação de delegados para votação se dá em uma espécie de “lista fechada” partidária. É conveniente citar que, além do Partido Comunista Chinês – PCC – existem na China outros tantos partidos (oito, variável) cuja representatividade é discutida, uma vez que seus representantes são eleitos (ou não) para a CCPC, na lista fechada citada anteriormente. A execução das políticas definidas e homologadas se dá pela ação do terceiro organismo.

3º - Congresso Nacional do Povo – CPN.
O CNP se compõe pela seguinte estrutura:



 
Continuação da estrutura do CNP







É interessante frisar que a grande maioria dos membros do CCPCC e das Comissões e Departamentos mostrados acima, são também os titulares de cargos no Congresso Nacional do Povo, o órgão executivo. Assim, estabelecem as políticas e as executam.
Os Comitês Especiais do CNP são criados e extintos de acordo com a sua necessidade.
Da mesma forma, os membros das Comissões e Departamentos do CCPCC variam em quantidade, tanto por razões administrativas quanto para “acomodar” os aliados e não aliados, mas que compõe uma “base dirigente”.

Na linha da estrutura organizacional do PCC ainda existem outras organizações, como listado a seguir, variáveis de acordo com a necessidade administrativa ou, como nas comissões e departamentos já citados, criados para “acomodar” a “base dirigente”:

Comissão de Política e Legislação
01 Secretário
01 Secretário Geral

Comissão para o Gerenciamento Objetivo da Seguridade Social
01 Presidente
04 Vice-Presidentes

Comissão para Proteção dos Segredos do Partido
01 Presidente
02 Vice-Presidentes

Comitê Central de Organização
01 Presidente
03 Vice-Presidente

Comitê Central de Orientação do Desenvolvimento Étnico e Cultural
01 Diretor
02 Vice-Diretores

Comitê de Trabalho para as Organizações Sob o Conselho de Estado
01 Presidente
01 Vice-Presidente Exec.
05 Vice-Presidentes.

Comitê de Trabalho para as Organizações do Governo Central
01 Presidente
04 Vice-Presidentes

Comitê de Trabalho de Inspeção e Disciplina para as Organizações do Governo Central
01 Secretário

Escritório de Pesquisa da História do Partido
01 Diretor
07 Vice-Diretores

Escritório de Pesquisa de Documentação
01 Diretor
02 Vice-Diretores

Escola do Partido Comunista Chinês
01 Presidente
02 Vice-Presidentes Exec.
08 Vice-Presidentes
01 Secretário Geral

Diário Guangming (Guangming Daily)
01 Editor-Chefe

Qiushi Biomonthly (Em busca da verdade, Revista Bimensal)
01 Editor Chefe

Grupo de Lideranças para o Trabalho Rural
01 Chefe
02 Vice-Chefes

Grupo de Lideranças para as Finanças e Economia
01 Chefe
01 Vice-Chefe
01 Secretário Geral
02 Vice-Secretários Geral

Grupo Central de Lideranças para as Finanças do Trabalho
01 Chefe
01 Vice-Chefe
Membros (variável)

Grupo de Lideranças para o Desenvolvimento da Região Oeste
01 Chefe

Grupo de Lideranças para a Construção do Partido
01 Chefe
04 Vice-Chefes

Grupo de Lideranças para os Trabalhos da História do Partido
01 Chefe
03 Vice-Chefes

Grupo de Lideranças para a Propaganda e Opinião
01 Chefe
02 Vice-Chefes

Grupo de Lideranças para os Negócios Estrangeiros
01 Chefe
02 Vice-Chefes

Grupo de Lideranças para os Assuntos de Taiwan
01 Chefe
01 Vice-Chefe
01 Membro
01 Secretário Geral

Grupo de Lideranças para a Coordenação dos Assuntos Econômicos e de Comércio com Taiwan
01 Chefe
01 Vice-Chefe

Grupo para a Publicidade Além-mar
01 Chefe
02 Vice-Chefes

Escritório para Publicidade Além-mar
01 Diretor
04 Vice-Diretores

Escritório de Assuntos Estrangeiros
01 Diretor

Escritório de Negócios de Taiwan
01 Diretor
03 Vice-Diretores

Instituto de Pesquisas Históricas e Culturais
01 Curador
02 Vice-Curadores

É comum se verificar que cargos dessas estruturas são exercidos, cumulativamente, por pessoas que exercem outros cargos em estruturas do PCC ou do CNP. Até mesmo o presidente, o primeiro-ministro e outros acumulam cargos de direção e chefia nessa estruturas. Assim, costuma-se dizer que: tudo que é discutido no CNP ou na Conferência Consultiva do Povo Chinês já foi anteriormente decidido pelo partido.

As estruturas apresentadas nos itens anteriores representam a cúpula do governo na República Popular da China. Abaixo dessas instituições existe um Conselho de Estado que, teoricamente, seria o Poder Executivo, além de cortes jurídicas, que se constituem no Poder Judiciário.

Conselho de Estado

Sob o Conselho de Estado funcionam os Ministérios, várias comissões, instituições e escritórios. É interessante notar como certos membros da cúpula do Partido são, também, chefes dessas organizações e dos comitês e frentes de trabalho no próprio partido.

Estrutura do Conselho de Estado

O Conselho de Estado possui a seguinte estrutura principal:





Na linha de subordinação direta ao Conselho de Estado, existem as seguintes organizações (que pertencem ao Conselho de Estado):

Escritório de Arquivos do Estado com um curador; e
Escritório de Proteção dos Segredos do Estado, com um diretor.

O Conselho de Estado dispõe, ainda, de cinco Comissões. Todas possuem um Presidente e Vice-Presidentes, esses em número variável. A última comissão listada possui, ainda, um Comissário Político. As Comissões e seus Presidentes são as Seguintes:

Comissão de Planejamento e Desenvolvimento;
Comissão de Comércio e Economia;
Comissão de Planejamento Familiar;
Comissão de Assuntos das Nacionalidades; e
Comissão de Ciência e Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional.

Ministérios Sob o Conselho de Estado

Sob o Conselho de Estado funcionam 23 Ministérios. Além do Ministro, todos os Ministérios, exceto o da Defesa Nacional, que será abordado separadamente, possuem Vice-Primeiros Ministros, em número variável. Os Ministérios são os seguintes:

Ministério da Agricultura, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério dos Assuntos Civis, com Ministro e quatro Vice-Ministros
Ministério das Comunicações, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério da Construção, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Cultura, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério das Finanças, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério dos Negócios Estrangeiros, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Cooperação Econômica e Comércio Exterior (MOFTEC), com Ministro e Vice-Ministros;
Ministério da Educação, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Informação Industrial, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério da Justiça, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério do Trabalho e Seguridade Social, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério dos Recursos Naturais e da Terra, com Ministro e três Vice-Ministros;
Ministério da Defesa Nacional, com Ministro e estrutura diferenciada dos demais, em face da estrutura organizacional do Exército Popular de Libertação – EPL.;
Ministério do Pessoal, com Ministro e sete Vice - Ministros;
Ministério da Saúde Pública, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério de Ciência e Tecnologia, com Ministro e cinco Vice-Ministro;
Ministério da Segurança Pública, com Ministro e três Vice-Ministros;
Ministério dos Recursos Naturais e da Terra, com Ministro e três Vice-Ministros;
Ministério das Ferrovias, com Ministro e quatro Vice-Ministros;
Ministério da Segurança do Estado, com Ministro e cinco Vice-Ministros;
Ministério da Supervisão, com Ministro e quatro Vice-Ministros; e
Ministério dos Recursos Hídricos, com Ministro e cinco Vice-Ministros.

Sob o Conselho de Estado, existem as seguintes organizações com nível ministerial:

Banco do Povo da China (People’s Bank of China), com um Diretor Geral; e
Auditoria Administrativa, com um Auditor Geral.

Ainda, sob o Conselho de Estado, existem as seguintes organizações de trabalho:

Escritório de Pesquisas do Conselho de Estado, com Diretor e três Vice-Diretores;
Escritório de Negócios de Hong Kong e Macau, com Diretor e três Vice-Diretores;
Escritório de Negócios dos Chineses de Além Mar, com Diretor e três Vice-Diretores;
Escritório dos Negócios Estrangeiros, com Diretor e dois Vice-Diretores;
Escritório de Assuntos Legislativos, com Diretor e dois Vice-Diretores;
Escritório para Reestruturação Econômica, com Diretor e quatro Vice-Diretores;
Escritório para Reformas de Residências, com Diretor não havendo Vice-Diretores.

Existem dezoito organizações que estão, diretamente, sob o Conselho de Estado. Não foi possível precisar o que significa “diretamente”, mas assim são tratadas pelo governo. São elas:

Administração Geral da Alfândega;
Administração da Aviação Civil da China;
Bureau do Estado para a Proteção Ambiental;
Bureau para as Florestas;
Bureau para os Direitos da Propriedade Intelectual;
Bureau para a Supervisão da Qualidade e Tecnologia;
Bureau do Estado para a Administração da Indústria e Comércio;
Bureau do Estado para Inspeções de Entrada e Saída e Quarentena;
Bureau de Supervisão e Gerenciamento Farmacêutico;
Bureau do Estado para a Administração de Rádio, Cinema e Televisão;
Bureau Geral dos Esportes;
Bureau Geral de Impostos;
Administração das Publicações e Imprensa do Estado;
Bureau dos Assuntos Religiosos;
Bureau de Estatística do Estado;
Bureau de Turismo do Estado;
Bureau dos Conselheiros; e
Bureau de Administração dos Escritórios do Governo.

Sob o controle dos ministérios e das comissões, existem os seguintes Bureaus:

Indústria de Materiais de Construção;
Indústria do Carvão;
Indústria de Material Elétrico
Indústria de Construção de Máquinas
Indústria Metalúrgica
Indústria de Metais Não Ferrosos;
Indústria Química e de Petróleo;
Indústria Têxtil;
De Reservas de Grãos;
De Comércio Interno;
Dos Correios;
Especialistas em Assuntos Estrangeiros;
Monopólio do Tabaco;
De Comércio exterior;
De Oceanografia;
Preservação das Relíquias Culturais; e
Agrimensura e Cartografia.

Além do que foi citado, pode existir corporações que executam tarefas de coordenação, em caráter temporário. Em 1998 existiam 45 dessas corporações. Segundo fontes do governo, o caráter temporário está relacionado à permanência dos titulares no desempenho dessas atividades e não à existência temporária da corporação.
A seguir, serão relacionadas algumas dessas corporações, por suas aparentes importâncias, pela importância de seus chefes ou pelo inusitado das suas atividades:

Grupo de Lideranças para a Ciência, Tecnologia e Educação, cujo Chefe é o Primeiro-Ministro;
Grupo de Lideranças para o Ajuda ao Completo Desenvolvimento dos Pobres;
Grupo de Lideranças para a Colocação de Oficiais e Praças da Reserva no Mercado de Trabalho;
Comitê Nacional da Campanha Patriótica pela Saúde Publica;
Comitê de Regulamentação Tarifária;
Comitê da China para a Década Internacional de Redução de Desastres Nacionais;
Comitê de Defesa Nacional das Fronteiras;
Comissão Nacional de Controle de Narcóticos;
Comitê do Verde Nacional;
Comitê de Coordenação para o Trabalho da Mulher e da Criança;
Comitê de Coordenação para os Obstáculos;
Comitê de Graus Acadêmicos;
Comitê do Projeto de Construção de Sanxia (Três Gargantas);
Grupo de Lideranças para o Trabalho de Apoio ao Exército, dando Tratamento Preferencial às Famílias dos Soldados e Mártires, Apoiando o Governo e Cuidando do Povo;
Quartel-General de Controle das Enchentes e Alívio da Seca;
Escritório de Verificação da Saúde das Atividades de Negócios;
Grupo de Lideranças Nacionais para a Agenda da China para o Século 21, cujo Chefe é Pan Wencan.

Também, sob o controle do Conselho de Estado funcionam 28 (vinte e oito) organismos econômicos. Em realidade, Corporações de Empresas Estatais. Algumas estão listadas a seguir, destacadas pela sua importância no contexto das reformas econômicas da China e do desenvolvimento de tecnologia de ponta.

Indústria Aeronáutica da China (AVIC);
Corporação das Indústrias Aeroespaciais da China (Bureau de Aeronáutica e Espaço);
Corporação Nuclear Nacional da China;
Grupo de Indústrias do Norte da China (NORINCO);
Corporação das Indústrias de Armamento Geral da China; e
Banco da China.

Paralelamente ao Conselho de Estado, se assim pode-se definir seu posicionamento no Estado Chinês, existe o Poder Judiciário. Deve ser salientado que as decisões jurídicas civis, de uma maneira geral, estão a cargo da Polícia Armada do Povo, que integra o EPL. Apenas em 1996 foi fundada na China a chamada primeira escola de juízes.

A Cúpula do Poder Judiciário é representada pelas seguintes organizações:





Não existe comprovação a respeito da CMC do Estado ser ligada ao poder judiciário, para tratar dos assuntos jurídicos no meio militar. Contudo, essa é a posição na estrutura na qual é colocada essa comissão, em algumas publicações. Cabe salientar que, seus integrantes são os mesmos da CMC do PCC.

Outros Partidos Políticos na China

Além do PCC, existem na China outros nove partidos políticos, não comunistas. Esses partidos não influenciam o processo de condução da política governamental, uma vez que suas proposições são analisadas pelo Comitê Central do PCC, antes de serem apresentadas no fórum adequado, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Os nove partidos citados são os seguintes:

Comitê Revolucionário do Guomindang Chinês;
Liga Democrática Chinesa;
Associação Chinesa para a Construção da Democracia Nacional;
Associação Chinesa para a Promoção da Democracia;
Partido Democrático dos Agricultores e Trabalhadores Chineses;
Partido pelo Interesse Público (China Zhi Gong Dang);
Sociedade 3 de Setembro (Sociedade Jiusan);
Liga do Governo Autônomo e Democrático de Taiwan; e
Federação da Indústria e Comércio de Toda a China.

Até pelo próprio nome, fica claro que esses partidos não podem ser influentes na política do Estado Chinês (Liga do Governo Autônomo e Democrático de Taiwan).


CONSIDERAÇÕES

A estrutura do governo da China é muito complexa, como pode ser observado com a análise deste texto. Existe uma aparente superposição de atribuições, superposição essa que cambia para um controle da execução, quando se observa que os líderes da cúpula do Partido Comunista estão chefiando comissões, escritórios etc, sob o Conselho de Estado, havendo, portanto, um controle efetivo da implementação das diversas políticas do partido.
A existência de um grupo dedicado a estudar uma maior independência das entidades econômicas da burocracia estatal, demonstra a consciência de que a economia, para o seu desenvolvimento, necessita ter a sua própria dinâmica, não podendo ficar atrelada à “mastodôntica” estrutura burocrática do Governo Chinês.
E isso ocorre em um país tido como comunista que, adotando as práticas capitalistas no desenvolvimento da sua economia, atingiu a posição de segunda economia mundial e, com a crise econômica atual, é visto como tábua de salvação da economia mundial.
Em contra partida, no Brasil, o partido do governo federal, o PT, que assinou um protocolo de intenções com o PCC, talvez buscando idéias para atingir o controle de partido único sobre o estado brasileiro, tem proposto medidas, não no sentido de desburocratizar ou de liberar a economia, mas no rumo de maior centralização, maior influência do estado e no aumento da estrutura burocrática governamental.
Enquanto na China, com toda a centralização comunista, existem 23 ministérios e duas organizações com status ministerial, no Brasil do PT existem 36 ministérios e secretarias com status de ministério, além de 23 conselhos e outras tantas agências reguladoras.
Enquanto a China de desgarra dos dogmas comunistas, mesmo que de forma lenta, talvez a possível para a sua cultura, o PT não se peja em buscar maiores e mais estreitos controles sobre as instituições, sobre a economia e sobre a liberdade de educação e de expressão.
Enquanto na China se admite, no máximo, dois períodos, para os principais membros do governo, no Brasil Lula, em visita a África, disse que gostaria de saber como ficar 30 anos no poder, da mesma forma que os ditadores a quem chama de irmãos e amigos.
Enquanto se critica a China, que é catalogado como um país comunista de partido único, por direcionar a indicação dos candidatos, regionais e das minorias, à assembléia do CCPC, no Brasil, os políticos do PT apresentam uma proposta de reforma política que pretende estabelecer uma lista de candidatos indicados pelo partido, para que o povo vote nesses candidatos. Dessa forma, a cúpula partidária (ou seria a comissão central partidária?) é que controlaria as eleições.
O PT se aliou com antigos desafetos políticos, comprando o apoio desses com o controle (talvez com o descontrole) e liberação das verbas públicas, como no conhecido, mas não admitido, “episódio do mensalão”, ou o nome que se quiser dar para a distribuição de “recursos não contabilizados”, financiando campanhas eleitorais de todas as facções aliadas e partícipes da chamada “base aliada”.
E as táticas de dominação não são apenas formalizadas pela liberação de verbas. Pretende o PT exercer o que chama de “controle social da imprensa”. Controle social, termo acadêmico para censura, logo por um partido de esquerda. Esquerda que dominou, por décadas, os postos chaves da mídia nacional, que se utilizou de todas as oportunidades para incutir no cidadão brasileiro uma permissividade contrária ao pensamento mais conservador da sua sociedade, e abusou da liberdade de falar contra, sem ao menos apresentar argumento coerente.
Talvez essa estratégia petista de manutenção no poder tenha a ver com a assinatura de um protocolo de intenções com o PCC, ocorrido na primeira visita do líder petista a China.
Enquanto na China se observa o dilema do PCC em ter que assumir posições contrárias aos dogmas de um partido comunista, no Brasil, o dilema atual é ver o PT tentar contrariar a política econômica, por ele classificada como neoliberal. Política essa que permitiu a estabilidade econômica que o governo petista tanto preza e propagandeia.
Pena que o PT só parece ter se preocupado em ter a China como exemplo nas piores coisas, justamente aquelas das quais ela procura se libertar. O PT não se preocupou, por exemplo, em saber como a China conseguiu levar educação de qualidade para todas as suas crianças e expandir tanto o seu ensino universitário.
Enquanto os comunistas da China se preocupam em modernizar as suas estruturas políticas, tornando-as compatíveis com a agilidade do mundo atual, os “socialistas” do PT, a cada problema surgido criam um novo ministério. Recentemente, ao contrário de buscarem a unificação das polícias, objetivando a economia de recursos e a padronização do conhecimento, criaram uma nova polícia, super dispendiosa, a Força Nacional de Segurança.
Enquanto na China não existe preocupação com o imediatismo e as metas pressupõem uma continuidade das políticas, no Brasil o PT lança programas um depois do outro, sem sustentação, sem planejamento adequado, repassando verbas para ONGS que não são submetidas ao menor controle na aplicação dessas verbas.
Acreditar que exista algum paralelo entre o PT e o PCC é embaralhar a história, a ponto de acreditar que a China é uma democracia. O perigo é ser esse o objetivo do PT: embaralhar a história para possibilitar um retrocesso no Estado Democrático de Direito e se perpetuar no poder.

Brasília, 07 de outubro de 2011

* O autor é Coronel-Aviador Refm; Adido das Forças Armadas junto às Embaixadas do Brasil na República Popular da China e na República da Coréia, entre agosto de 1996 e outubro de 1998. Mestre em Ciências Aeroespaciais


Bibliografia:

• SPENCER, J. D. The Search for Modern China.
• HSÜ, I.C.Y. The Rise of Modern China. Ed. Oxford University Press. New York. 1999.
• CHINA MONTHLY DATA. Institute of Asian Affairs. Hamburgo.
• COUNTRY REPORT. The Economist Intelligence Unit. Londres.
• JANE’S INTELLIGENCE REVIEW. Jornal mensal POINTER e JANE’S SPECIAL REPORTS.
• Monthly Papers, from CHINESE COUNCIL OF ADVANCED POLICY STUDIES (CAPS). Taipei, Taiwan.
• FAR EASTERN ECONOMIC REVIEW. Review Publishing Company Limited. Hon Kong.
• LEONARD, M. O que a China pensa. Ed. Larrouse. São Paulo