Carla Lima Abreu Cruz nasceu a 3 de Setembro de 1987 em Belo Horizonte, Minas Gerais. Seguindo a origem dos pais, desde cedo habitou a terna Barbacena, berço da EPCAR, a nascente do poder aéreo brasileiro.

   Dedicou-se de modo auto-didático à escrita de poemas, trilhando com rítmicos versos um caminho que vem desde a infância e segue até os dias atuais, celebrando na poesia as graças que lhe fascinam e os inocentes sentimentos vivenciados na juventude.

   Atualmente cursa o último ano da faculdade de Psicologia na mesma cidade, sendo uma nata amante da arte da aviação, que homenageia carinhosamente em seus primeiros versos publicados.

 
 
 

Voar

 

  

Uma vez, quando bem pequenina,

um ronco estremenho

vibrou meu coração.

Era um barulho inigualável e portento

que encheu meu espírito de paixão.

 

Uma vez, tão só, admirei o céu

quando, bem ao longe, vi algo diferente.

O mesmo som, o mesmo tom.

Como era possível objeto tão potente?

 

Na noite, mistura-se entre as estrelas.

No silêncio, nas entranhas da terra, seu som vagueia.

No ar, seu perfume de querosene entra na minha alma.

O desejo de voar ali enche minha inocência de glória!

 

Uma vez, quando pequenina,

perguntei à minha mãe o que era

um pássaro de metal com ronco de trovão.

Ela orgulhosa me disse: “Sou uma arte”.

Mãe, quem tu és?

“Filha, sou a maior das artes:

a arte da aviação!“.

 

 

Em homenagem aos pilotos de caça.

Barbacena, 1999.

 

 
 
 
 
 
 
 

Cântico à Aeronáutica

 

Vindo de algum lugar distante,

Ao chegar à Barbacena,

Traz na lembrança a terra amante,

Ou a mãe que na partida acena.

Sente o frio de seu clima e

O odor de suas rosas.

Olha a vista que se tem por cima

Das montanhas alterosas.

Barbacena, seu lar por três anos

Enquanto cursas o científico.

Provará seus sabores e encantos,

Não verá lugar tão magnífico.

Veio com o sonho queimando forte

O coração que muito quer voar

Por enquanto sua casa, seu abrigo, onde exalte

Nossa querida e amada EPCAR!!!

Seu tempo passará rápido

Embora chores de saudade em tua cama.

Teus amigos também o fazem, mas seja bravo.

É a mãe aviação quem te chama!

 Não fracasse nem se abata nunca.

Se o assim fizer, juntar-te-á aos passarinhos

Na tão clamada Pirassununga

Onde as aves treinadas saem dos ninhos.

Mesmo que retorne à sua arena

Nunca se esqueça dessa terra histórica

A tão querida e amada Barbacena:

Berço da arte e cultura aeronáutica.

 
Em homenagem aos alunos da EPCAR.
Barbacena, 2002.

 

 
 
O Brigadeiro (Parte I)
 

Disciplina e honra marcam o seu caminho
do mais justo homem em meio a tanta gente.
Do que é mais sábio, pois a verdade sente
exultar-lhe o sonho, que vem de menino.
 
E desses sonhos já adormecidos,
que na luta ganha já se fez verdade,
Com o passar dos anos: a maturidade
relembrando aos céus o avião amigo.
 
Trás da experiência um viver de acertos
exercendo a paz em quem almeja a briga.
Pois Brigadeiro dos Ares é aquele que não comete erros
e comanda ímpio, mas com mão amiga.
 
E não é à toa que o céu mais lindo
entoa em canto nosso Brigadeiro
Como a um esboço divino a representar
quem guia os ares como a um mundo inteiro!

Janeiro de 2010

 

 

O Brigadeiro (Parte II)
 

Desvendar o mito do maior senhor
é celebrar o mais belo sonho já existente.
Aquele que faz da aviação o seu maior amor
e tem de todo o céu a mais nobre patente.
 
Da meta singela atingiu o perfeito
e já sem surpresa alguma sobrevoa os mares.
Quem caminha com a honra de um trabalho bem feito
mas sonha na alma se ver de novo nos ares!
 
Lutou com bravura e com esperança
honrando as estrelas de prata no azul marinho.
Conquistando os amigos que ficaram no caminho
E levando saudoso os que ficam na lembrança.
 
Ser como ele, é ser homem de raça
que faz dos ares morada e da pátria o ninho.
Pois Brigadeiro dos Ares é a ave de caça
que protege o sonho dos jovens passarinhos!

Janeiro de 2010.
 

 

Saudade dos Anos de Outrora...
 
 
O lembrar saudoso é sentir com orgulho o passado distante
recordando as falas que se marcaram felizes
sem sequer se arrepender do instante errante,
pois de todo o sofrer só restam cicatrizes.
 
É estar, na memória, com os amigos de turma
que formaram contigo renomado Esquadrão.
Mas devido ao tempo só deixaram lembranças
e de sua partida fizeram canção.
 
É lembrar em tua boca o sabor da comida
sentindo o peso das dores de uma punição
como se os anos que foram as deixasse esquecidas...
E da farda limpa relembrar o sabão.
 
Hoje, aves maduras, que há muito pularam dos ninhos
com brancas penas que revelam os anos que passaram.
Experiente missão dos que aqui tiveram
deixando em teu chão azul tuas nobres pegadas...

Novembro de 2009.